Shikamaru Hiden - Capítulo 01

Konoha


"Desde quanto parar de dizer coisas virou um problema...?"

Esse é o pensamento que passa pela cabeça de Shikamaru enquanto olha para o céu azul. Mesmo que o vento não seja forte, finas nuvens percorrem o espaço, alongando-se, uma após a outra, fugindo do seu campo de visão. O estado delas é semelhante ao próprio Shikamaru. Ironicamente, ele ri de si mesmo, frente esse pensamento.

Seja como for, ele estava ocupado.

Dois anos após a Quarta Guerra Mundial Shinobi, o mundo está finalmente começando a recuperar sua estabilidade. A Aliança dos Kage (Aliança Shinobi) criada momentos antes de a guerra eclodir continua até hoje, o mundo shinobi está drasticamente diferente do que costumava ser.

A aliança pôde ter começado entre as cinco principais vilas ocultas, mas depois da guerra, os países menores declararam interesse em participar da aliança também. Havia chegado o ponto, que a organização que começou com uma aliança, se tornará uma união shinobi, que envolve todos os shinobi de cada país participante.

Os contratos que eram realizados unilateralmente pelas vila ocultas antes da existência da Aliança estão sendo tratados de forma coletiva pela Aliança Shinobi. Cada vila que participa da Aliança possui representantes shinobi atribuídos a cada vila oculta, durante as negociações dos contratos. Desta forma, o equilíbrio na distribuição de trabalhos entre as vilas foi mantido, a disparidade entre as vilas foi revisto, e o Mundo Shinobi pôde finalmente saudar uma era de paz de braços abertos.

"Haa..."

O suspiro de Shikamaru desapareceu no ar. Ele estava deitado de costas no frio chão de pedra, se ficasse muito tempo ali, provavelmente, pegaria um resfriado. Mas ele tinha suas razões para não se levantar.

O trabalho estava esperando por ele.

Trabalho demais não é nada engraçado.

Shikamaru tinha a intenção de descansar por um curto intervalo de tempo durante a tarde. Ele também sabe que mais cedo ou mais tarde, sua mente penderia para o trabalho. E quanto isso acontecer, Shikamaru estava consciente que não teria tão cedo outra chance para descansar.

E assim, se recusou a se mover, apesar do frio, teimosamente manteve seu descanso enquanto pôde. Até que alguém o encontre, Shikamaru não tinha intenção de mover um centímetro se quer do local onde esta.

'Este local' era o terraço da Residência do Hokage¹.

Você pode ver as gerações de rostos dos Hokage talhados na montanha, paralelo ao terraço. Shikamaru esparrama-se sobre ele. Em ordem, a partir da esquerda, há Hashirama da primeira geração, em seguida, seu irmão Tobirama. Da terceira, Hiruzen, que faleceu durante a Konoha Kuzushi (Esmagamento de Konoha) de Orochimaru; eis então, o 'Relâmpago Amarelo' Namikaze Minato. O Quinto era uma lenda junto com Jiraya e Orochimaru, um dos Três Sannin, Tsunade.

Eis todos os Hokage passados.

Agora, o rosto do homem que é o atual Hokage poderia ser visto esculpido ao lado de Tsunade.

Um par de olhos sonolentos e um cabelo espetado podem ser vistos, assim como a ponta de seu nariz, enquanto que o resto de suas características é escondido sob a máscara.

O Hokage é um símbolo de Konoha. É uma posição que não pode ser obtida sem o reconhecimento de todos os shinobi da vila. Mesmo que em comemoração a cara desse símbolo seja esculpida na montanha, mantendo escondida a metade inferior sob uma máscara...

Hatake Kakashi.

Esse era o nome do Hokage atual.

O professor daqueles dois que abriram o caminho para a vitória durante a guerra, não havia uma única pessoa no mundo Shinobi que não sabia seu nome. Shikamaru, por outro lado, conhecendo o homem e seus alunos pessoalmente, estava longe de ser tiete. Há fãs que adoram e bajulam os três, chamando-os de os "heróis da lenda", mas, na realidade, para nenhum dos três cabe a alcunha de "lenda".

Kakashi, certamente o homem que resolvia as coisas durante uma crise, deu as costas para sua vida cotidiana: um adulto chato que não tinha vontade de fazer muita coisa.

Os outros dois heróis também tinham seus problemas. Um deles era um idiota abismal. O outro, um teimoso abismal. O resto do mundo não conhecer o outro lado, sem esperança, daqueles três é o motivo de serem saudados como "lendas vivas".

"O que estou fazendo mesmo...?"

As palavras saíram da boca de Shikamaru sem ele pensar muito nisso.

Ele era o tipo de pessoa que nunca se tornaria algo próximo de um herói. Em primeiro lugar, ele nunca quis ser um.

Se você dissesse que queria ser um daqueles ninjas que praticam vigorosamente seu ninjutsu para aperfeiçoa-lo, você estaria errado. Ele certamente nunca pensou em estudar ninjutsu médico, e muito menos tornar-se um especialista em suporte às tropas. Se você dissesse que queria ser alguém com um alto nível em criptografia ou em um consultório médico, você também estaria errado.

Ele só... Queria manter-se na média.

Esse era o sonho de Shikamaru.

Ele queria ser um ninja mediano que tivesse um trabalho mediano, casar-se com uma esposa mediana e ter filhos medianos, e, em seguida, depois de uma velhice mediana...

Bem, todo mundo chega ao fim um dia.

Há como encontrar felicidade maior do que em um plano de vida como esse?

Ele achava que não.

Em dias de bom tempo, o encontramos deitado olhando para o céu, vendo as nuvens passando, flutuando, e tomando conta de seus pensamentos. Em dias de chuva, algumas peças de shougi são mais do que suficiente. Não haveria pressão e expectativa das pessoas. Sem stress, nenhum.

Não era um tipo de vida maravilhosa?

"Haa..."

Foi um profundo suspiro, do fundo de seu estômago.

O sacana chamado "realidade" foi um adversário muito difícil.

Se você esta lutando contra um ser humano, em algum momento, chegará o dia que você ganhará dele. Mesmo que essa pessoa seja como Deus, ele deverá ter alguma fraqueza. Os inimigos na guerra eram abominações, ainda assim, quando todos os shinobi concentraram seus poderes eles os venceram, certo?

Você pode derrotar um adversário na sua frente.

No entanto...

A realidade é um adversário sem corpo que você nunca, jamais poderá derrotar.

Não importa o quão Shikamaru desejasse e quisesse o contrário, a realidade insensivelmente o empurrou para o destino que ele não queria. Shikamaru que desejava ser alguém "médio", agora era alguém que a Aliança Shinobi não poderia prescindir.

Ele teve tanto trabalho. Todos os postos de trabalho de cada nação, do Daimyo aos cidadãos comuns, tinha que ser classificadas de A à D, em seguida, as características de cada vila foram cuidadosamente analisadas para determinar qual delas era mais adequada para cada tipo de mão de obra - depois vieram os chefes da Aliança, os consulados dos Cinco Kage. Eles o usaram por tudo, ao ponto dele se tornar o parceiro de shougi no antigo Tsuchikage.

"Shikamaru de Konoha, da Aliança Shinobi."

Ainda há pessoas em seu círculo que o chamam assim.

Mesmo que Shikamaru não quisesse destacar-se, mesmo que ele não quisesse ter sucesso em coisa alguma, mesmo lutando contra seu destino, ele o empurrou acima dos demais.

Seu primeiro erro tinha sido a promoção no Exame Chuunin.

Os Exames Chuunin são realizados pelas vilas dos Cinco Kage, e incluem genin inclusive de outros países menores. Em meio ao caos gerado pelo plano de Orochimaru e a morte do Terceiro Hokage, por algum motivo, Shikamaru foi promovido ao posto de Chuunin.

Entre todos os candidatos, ele foi o único a conseguir aquela promoção.

Era o tipo de situação que seria mais adequado Shikamaru gritar 'o que você fez?!'.

Seu erro fatal tinha ocorrido na parte do exame onde os genin foram impelidos a lutar uns contra os outros. O sucesso de seu Kagemane no Jutsu (Técnica de Imitação das Sombras) surpreendeu sua oponente, uma kunoichi petulante que carregava um grande leque, que criava enormes rajadas de vento, mas no momento final, foi o próprio Shikamaru que jogou a toalha.

Foi esse abandono de Shikamaru que foi tão valorizado.

Ser um Chuunin incluí liderar subordinados. Por isso que sua capacidade de analisar precisamente uma situação recebeu o mais alto valor. Os avaliadores valorizaram sua derrota limpa, por isso a mais alta avaliação foi concedida à Shikamaru.

Foi uma avaliação muito indesejável.

Era um exame do qual não queria fazer parte, ele tinha sido forçado a entrar nele por seu professor, na insistência de Sarutobi Asuma. Ele não tinha interesse em seu resultado, não possuía vontade alguma. Mas a realidade levou Shikamaru a se tornar um Chuunin, a partir dali, todos da vila passaram a olhar para ele com olhos diferentes.

Desde então, o plano da vida de Shikamaru tinha começado a ficar fora de seu alcance.

Quando Sasuke deixou a vila, Shikamaru foi designado como líder da equipe que, em conjunto de seus companheiros, tentou trazê-lo de volta, depois disso, o número de missões só aumentaram, vindas de todas as partes. Ele resistiu e protestou, mas a realidade divertia-se galgando Shikamaru cada vez mais alto no ranking.

A Quarta Guerra Mundial Shinobi... Tinha acontecido à dois anos.

Shikamaru tem 19 anos. Uma idade onde ele não pode ser mais chamado de criança.

Ele se perguntou o quão grato você deve ser para as pessoas que esperam grandes coisas de você. Ser alguém que outros dependem não é uma conquista maravilhosa? A resposta não foi dita. Foi exposta por um amigo de Shikamaru, Naruto, e seu desejo de ser reconhecido por todos da sua vila, na realidade, todo o Mundo Shinobi.

Shikamaru sabia muito bem que as pessoas dependem uma das outras para viver. É por isso, apesar das suas dúvidas, ele não sente nenhum sentimento de ódio do tipo "se você não existisse" para com as pessoas que confiaram nele. Não importa o quanto ele seja contra a ideia de ser dependente, ele nunca fazia corpo mole nas missões.

Fazia 19 anos desde que ele tinha nascido para este mundo, e mesmo assim ele já tinha se envolvido com tantas obrigações e responsabilidades.

O grupo que tinha a intenção de dominar o mundo, a "Akatsuki", tinha assassinado seu professor Asuma. Sua namorada, Kurenai, estava grávida. Aquela criança possui agora dois anos. O nome dela é Mirai.

Se tornar professor de Mirai... era uma promessa que definitivamente tinha que ser cumprida.

O pai de Shikamaru, Shikaku, foi encarregado de ser o principal estrategista da Aliança Shinobi, durante a Quarta Guerra Mundial Shinobi. Quando Obito usou o poder destrutivo do ressuscitado Juubi (Dez Caudas) contra a Aliança, seu pai veio a óbito junto com o pai de Ino, Inoichi.

Mesmo agora, as últimas palavras de seu pai e Inoichi ainda ressoavam claramente nos ouvidos de Shikamaru.

[Nós sempre viveremos dentro de vocês. Não se esqueçam!]

Para tornar-se um grande homem como seu pai... Uma promessa foi feita para o homem que ajudou a trazê-lo ao mundo.

E, em seguida, surgiu...

Naruto.

Sob qualquer falha, o herói dos shinobi acreditava piamente que se tornaria Hokage, e nunca duvidou dessa verdade por nenhum momento.

Durante a luta contra o Dez Caudas, Shikamaru estava à beira da morte. Enquanto estava sendo curado por Sakura, ele teve este pensamento:

[Ninguém é mais adequado para ser seu conselheiro do que eu...!]

Se Naruto tornar-se Hokage, Shikamaru será seu braço direito. Esse é seu sonho.

Ele já possui tantas obrigações, que nem sequer cogita contá-las. Não houve equívocos, tudo por causa dessa força que continuou empurrando-o para frente. Foi uma coisa necessária, ele deveria ser grato a todos por suas opiniões que permitiram ele viver do jeito que ele era.

Ele deve ser grato, mas...

Ele fica tão cansado, às vezes.

O verdadeiro Shikamaru não era o homem que todos pensavam que era. Seu verdadeiro eu foi de um homem que achava tudo problemático. Que desejava uma vida medíocre. O tipo de homem que poderia ser encontrado em todo o lugar. As expectativas das pessoas cresciam quanto mais ele fugisse delas. Essa era a verdade por trás do homem que foi Nara Shikamaru.

Nos velhos tempos, todos os seus companheiros perceberam as suas constantes reclamações, e o quanto não tinha de vontade em realizar qualquer coisa.

Desde quando eles começaram a interpretá-lo mal?

Desde quando ela parou de chamar as coisas de problemático?

Logicamente, as duas coisas devem ter começado ao mesmo tempo.

"Quando começou...?"

Quando olhava para as nuvens, sulcos profundos surgiram na testa de Shikamaru. Seus olhos se estreitaram quando ele pensou sobre o assunto, ao ponto de que só podia ver parte do céu.

Um único falcão entrou em sua visão...

O falcão voava do oeste, onde partes do céu assumiam um tom rosado pelo por do sol. Ele alonga suas asas e, lentamente, começa a voa em círculos. Shikamaru vê o falcão passando por um arco a sua direita. Não, a coisa correta para se dizer era que o falcão circulava a Residência do Hokage.

Shikamaru não se sentou. Com um salto, ele ficou de pé.

Sua mente que havia sido habitada por pensamentos tão profundos quanto o mar, se voltaram para o falcão, não o perdendo de vista.

Negro como o azeviche²...

O falcão é tão escuro, que poderia ter sido pintado com tinta.

Não, ele realmente era um falcão pintado com tinta.

Chōjū Giga (Desenho de Imitação da Super Besta).

Jutsu de Sai.

Sai era o cara que tinha entrado para o Time 7, de Naruto e Sakura, como substituto para o sumido Sasuke. Sua especialidade era o Chōjū Giga, que dava vida e movimento a pinturas de animais.

O falcão voando era definitivamente de Sai.

"Ele finalmente chegou...”.

No campo de visão de Shikamaru, ele pôde ver o falcão descendo, planando em círculos.

Shikamaru deixou o terraço, descendo pela escada. Assim que chegasse ao fim, ele estaria no escritório do Hokage. O falcão definitivamente estava indo para lá.

No momento que Shikamaru atingiu as escadas, o falcão desapareceu por trás da Residência do Hokage como uma sombra que atravessa seus olhos. Shikamaru saltou pelas escadas, correndo pelo corredor até o escritório do Hokage.

Ele abriu a porta, sem sequer bater na porta.

"Oh, Shikamaru."

Foi Kakashi que falou. Ele estava de pé atrás de uma mesa cheia de pilhas de livros e documentos, lendo um pergaminho aberto.

"É o falcão do Sai...?"

"Está certo."

Kakashi virou o pergaminho para que Shikamaru pudesse ver. As frases foram desordenadamente escritas sobre um pergaminho de papel branco. Pelo que Shikamaru podia ver a mensagem foi escrita as presas.

"A situação parece ser mais greve do que eu pensava."

O olhar de Kakashi encontrou o de Shikamaru enquanto ele falava seu olhar mais grave do que Shikamaru costumava notar. Até mesmo a costumeira maneira vaga do Hokage falar foi substituída por um tom sombrio. A atitude de Kakashi estava lhe dando uma terrível sensação de mau agouro.

Os olhos de Shikamaru seguiram a escrita. Enquanto avançava pela mensagem de Sai, com uma escrita pequena, produzida por um fino pincel, a última frase destacou-se pela espessura e escrita violenta:

"Eu não sei mais quem eu sou!"

Nota¹ - embora o texto cite a Residência do Hokage, é provável que seja na realidade a parte administrativa da Academia, onde fica o escritório do Hokage.

Nota² - carvão compacto usado como gema, também conhecido como âmbar negro.

Dirigida ao Sexto Hokage,

Não há muito tempo, então serei breve.

Nossa investigação sobre aquele assunto foi concluída até o grau especificado. No entanto, nenhum dos meus dez companheiros retornaram, eu fui deixado sozinho.

Eu não sei se eles estão vivos ou mortos. No entanto, não havia maneira do inimigo ter nos localizado.

Vou direto ao ponto.

Os assuntos internos deste país são muito piores do que imaginávamos. Se deixarmos como esta, a União Shinobi pode ficar numa situação difícil. Não, na verdade, acredito que a própria estrutura do mundo poderá ser mudada.

Existe um homem que está alterando este país.

Seu nome é Gengo.

Este país está aqui por causa de Gengo, e Gengo está aqui por causa deste país.

Não seria um exagero dizer que este país inteiro só existe por causa de Gengo.

'Encantamento'. Essa é a palavra que descreve Gengo mais apropriadamente.

Gengo poderá se tornar a existência que irá mudar o mundo.

Eu não tenho certeza se quero que ele não mude.

Os seres vivos chamados shinobi não possuem uma felicidade garantida, não é?

Por perseverarmos, nós somos shinobi.

Mas isso é realmente algo bom?

Hokage-sama.

Não, Kakashi-san.

Eu não sei mais quem eu sou...


Levantando a cabeça após ler a mensagem de Sai, Shikamaru solta um pequeno suspiro.

Kakashi esta sentado em sua cadeira, com os cotovelos encostados na mesa. Ele veste o chapéu que todos os Hokage deveriam usar em assuntos oficiais ou não. Ele passa a mão no cabelo, que havia crescido nos últimos anos. Cada parte do seu rosto, abaixo do nariz, estava escondida atrás da máscara, como sempre.

Segurando o queixo com as duas mãos, ele calmamente assiste a reação de Shikamaru.

"O que você está pensando?" Ele perguntou, com uma voz muito clara.

Não há mais ninguém dentro do escritório do Hokage.

"Eu acho... por que Sai enviaria uma Chōjū Giga, em vez dele mesmo retornar?"

"Isso é uma coisa a se perguntar."

Largando o queixo, Kakashi inclina-se para trás, pensativo, levanta seu rosto para olhar o teto, ele solta um suspiro ainda mais alto e longo do que Shikamaru.

"Eu acho que, olhando para a mensagem, parece que todos, exceto Sai caíram nas mãos do inimigo e foram mortos, certo?"

"Parece ser isso."

"Sai estava liderando uma equipe formada por dez membros dos mais qualificados da ANBU. Acho que nenhum deles faria algum movimento tolo, expondo-se ao inimigo. Ao que parece, o inimigo é muito habilidoso também."

"Sim..." Dizendo isso, Kakashi girou lentamente a cadeira. Ele girou mais uma vez. Shikamaru deu de cara com as costas da cadeira, lentamente ela retornar a sua posição original. Kakashi era o tipo de homem que matinha-se relaxado na mais grave das situações.

Normalmente, quando a pessoa é confrontada neste tipo de situação, seu corpo congelaria, junto com seus pensamentos. Propositalmente, para impedir que isso aconteça, Kakashi movimenta-se aparentemente despreocupado. Ele aprendeu a manter seu corpo em constante movimento durante seus anos de shinobi, vendo tantas cenas chocantes, e sangrenta carnificina.

Shikamaru olha para Kakashi com uma expressão de ansiedade no rosto. Ele abre a boca para falar.

"No momento que Sai percebeu que perderá todos os seus companheiros, havia apenas um caminho que ele poderia ter escolhido."

"Fuga, correto?", disse Kakashi, ainda olhando para o teto.

"Sim."

Kakashi acenou para a resposta rápida de Shikamaru. Embora devesse virar o rosto para Shikamaru, ele ainda olhava para o teto.

"No entanto, enviou esta mensagem, em vez de retornar para a vila e reportar-se diretamente a você, Hokage-"

"Quanta vezes eu te disse que Kakashi-san é o suficiente?" Disse Kakashi, finalmente voltando o olhar para Shikamaru. "Desde quando você ficou tão rígido? Você costumava ser tão despreocupado com as coisas."

"Eu não seria uma criança para sempre."

"Ainda hoje, Naruto age como uma criança."

"Naruto é Naruto."

"É, entendo..."

Um olhar triste preencheu os olhos de Kakashi. Ele estendeu o pergaminho de Sai pela mesa, passando os olhos por cima dele.

Sai poderia transformar sua mensagem em um animal de tinta e enviá-los aos mais distantes locais, onde o animal em contato com uma superfície de papel branco se transformaria na mensagem. O falcão que Shikamaru viu no terraço era um exemplo dessa técnica de Sai.

"A situação é 'muito pior do que imaginávamos', hein..."

"Parece sensato dizer que aqueles shinobi que desapareceram durante a guerra, bem como, aqueles que desapareceram ultimamente, eles estão todos neste país."

"Isso parece ser confirmado por Sai."

"O País do Silêncio..."

A questão toda cresceu como uma bola de neve há dois anos...

Muitas vidas foram tomadas durante a Quarta Guerra Mundial Shinobi, e começou com Uchiha Madara e Uchiha Obito. Para confrontar o poder destas abominações, os shinobi dos Cinco Grandes Países reuniram suas forças. Por fim, a pessoa por trás de Madara, Kaguya Ootsutsuki, foi derrotada e a guerra chegou ao fim.

Cada vila entrou em um período de restauração da paz, os detalhes de descobrir quem foi morto em batalha e quem estava desaparecido em ação transformaram-se em um assunto urgente. A guerra tinha sido uma batalha feroz, que havia configurado novas paisagens no continente. Encontrar um novo cadáver, poderia ser considerado um golpe de sorte.

Em comparação, o número de shinobi mortos em batalha, era muito menor do que o número de shinobi desaparecidos.

Os Cinco Grandes Países Shinobi perderam cerca de 10.000 soldados...

10.000 shinobi foram as vítimas da Quarta Guerra Mundial Shinobi.

Seus inimigos na guerra poderiam ter dizimado todo o mundo. Muitos disseram que foi um golpe de sorte a guerra ter encerrado com "apenas essas perdas".

Mas não era como Shikamaru via as coisas.

Mesmo uma vítima, seria uma vítima demais.

Na última guerra, ele havia perdido seu amigo Hyuuga Neji. Shikamaru não acha que sua dor por perder Neji seja algo único entre os dez mil. A dor por perder Hyuuga Neji deve ter sido sentida por outros para cada vítima.

Na morte de uma pessoa, há emoções que você não pode controlar, simplesmente, dizer que eles eram 'apenas um sacrifício'.

É por essa razão...

É por essa razão que a guerra não pode começar novamente.

"Pergunto-me quantos shinobi desaparecidos foram para o País do Silêncio..." Kakashi murmurou este pensamento para Shikamaru.

Dentre todos os shinobi que haviam desaparecido durante a última guerra, uma pequena parte deve ter sobrevivido, mas fora do alcance do resgate.

A sede da União Shinobi teria sido o primeiro a perceber isso.

Desde que a sede começou a lidar com todo tipo de pedidos, ajudas e coisas assim, eles foram os primeiros a detectar um padrão. Esse padrão em específico começou a surgir a cerca de um ano atrás.

Os pedidos de missões shinobi diminuíram acentuadamente.

Uma vez que os Cinco Grandes Países Shinobi formaram a união, a tensão e conflito entre nações estrangeiras diminuíram consideravelmente. Dessa forma, era natural que missões Rank-A e Rank-B, as mais perigosas, diminuíssem.

Mas o assunto não termina aí.

Até mesmo os pedidos para missões Rank-C e Rank-D, relativamente fáceis, diminuíram na mesma proporção.

Shikamaru tinha ouvido falar deste assunto de forma rápida, já que ele tinha seu próprio posto na sede da União Shinobi. Mas não havia nada que eles pudessem fazer para diminuir a queda repentina de missões. A União tinha dito que era uma breve mudança trazida pelos novos ares, e encerrou o assunto.

No entanto, houve um homem que disse que poderia pôr um fim no problema da diminuição das missões, bem como, outro problema que surgiu desde o fim da guerra.

Aquele homem era Kakashi.

O outro problema que Kakashi tinha intenção de resolver: os casos de desaparecimentos de ninjas dentro dos Cinco Grandes Países, que vinham acontecendo há um ano.

De um ano para cá, cada vila perdeu um shinobi por mês. Isso contabiliza 12 ninjas desaparecidos por vila. Resultando em 60 ninjas no total, das Cinco Vilas Ocultas. Além disso, eram todos jovens, solteiros, e do sexo masculino.

Abandonar sua vila configura um grave crime. É claro que cada vila enviou pessoas em busca dos desertores, mas de alguma forma, nem um sequer tinha sido encontrado.

"Eu provavelmente fiz a coisa errada pedindo para Sai continuar a investigação, quando ele me pediu reforços." Disse Kakashi. "Eu deveria ter o tirado da missão e ver se estava mentalmente preparado para a missão, antes de enviá-lo para o País do Silêncio."

"Lamentar agora não muda nada."

"É verdade."

Sai, tinha sido enviado para investigar os casos de desaparecimentos, a cerca de um mês atrás ele enviou uma mensagem de que encontrará uma pista. Kakashi acreditava que os desaparecimentos e a diminuição no pedido de missões estavam relacionados, Sai deveria continuar a investigação com o apoio da ANBU.

A pista que Sai encontrou era no País do Silêncio.

O País do Silêncio poderia ser localizado no extremo oeste de um continente que rivalizava com os Cinco Grandes Países Shinobi, bem como, os países em torno deles.

Era um país que nunca tinha feito contato com qualquer um das vilas shinobi, ou qualquer outro país estrangeiro, por esse motivo, foi chamado pelos estrangeiros de 'País do Silêncio'. Os únicos detalhes conhecidos sobre ele é que era um país com samurais, que mantinham os cidadãos na linha, e um Daymio que governava acima dos samurais. Fora isso, o país era um completo mistério.

De acordo com o que Sai havia repassado, os ninjas de Konoha desaparecidos tinham corrido na direção daquele país.

E aquele era o menor de suas preocupações. Havia também os shinobi de Konoha que desapareceram em ação durante a guerra.

O País do Silêncio estava coletando shinobi que tinha desaparecido em ação, bem como, shinobi que haviam desertado de suas vilas...

Por qual razão?

Kakashi podia ver a razão tão claramente quanto podia ver a razão para a diminuição dos pedidos de missões que entram na União Shinobi.

"O que você acha que aconteceu com Sai?", perguntou Kakashi.

"Ele tá vivo."

"Bem, concordo com isso." A parte inferior da máscara de Kakashi moveu-se, como se ele estivesse sorrindo. "Quando você vê o louvor obsessivo à 'Gengo' mencionado em sua mensagem..." Kakashi toca a fina e delicada escrita de Sai.

Observando ele pensar, Shikamaru continua sua fala.

"Não é algo que eu quero pensar, mas não podemos excluir a possibilidade de Sai ter sido levado por este homem chamado Gengo."

"Sai é tão íntegro, depois de tudo...”.

"Se Sai estiver vivo, não podemos simplesmente ignora-lo."

"Isso é verdade..." A cicatriz no olho esquerdo de Kakashi parece escurecer-se com o desespero.

Shikamaru poderia antecipar exatamente o que ele iria dizer, sem precisar ouvi-lo em voz alta.

Esta situação tinha uma questão maior e mais importante do que salvar um companheiro.

Shikamaru empurrou as palavras para fora.

"Se os assuntos internos do País do Silêncio são realmente como Sai reportou, se os desdobramentos são como você adivinhou, então devemos agir imediatamente."

"Eu sei disso."

Shikamaru não parou de falar.

"Já se passaram dois anos desde a guerra. Todas as vilas finalmente recuperam sua estabilidade, mas o status do país como um todo é menos da metade da força como costumava ser."

"Nós não poderemos suportar outra guerra."

"Exatamente."

Deixando escapar outro grande suspiro, Kakashi levanta-se da sua cadeira. Ele contorna a mesa coberta por pergaminhos e livros e fica ao lado de Shikamaru.

"Parece que você chegou a mesma conclusão que eu tenho." Disse Kaakashi.

"Sim."

"Então, você entende o que eu penso sobre isso?"

"Você quer ir e resolver sozinho, não é?"

Kakashi tinha muito experiência desde de sua juventude na ANBU. Ele se destacou entre os ANBU, cuja especialidade eram missões obscuras, como um soldado muito capaz.

Shikamaru podia ver esses pensamentos em seu rosto, e soltou outro suspiro.

"Hokage-sama. Eu entendo seus sentimentos mais do que suficiente, mas você já deve saber que o que você quer não vai acontecer."

"Heh. Seus pensamentos atravessam sua mente quase na mesma velocidade do jutsu de Minato-sensei, você sabia disso?"

Shikamaru devolveu para Kakashi um longo olhar como resposta. Kakashi continuou falando em face do silêncio de Shikamaru.

"De qualquer forma, segundo o que Sai disse, a principal força por trás desse país é esse homem chamado Gengo."

"Sim."

"Depois de lidarmos com ele, não haverá mais problemas."

"Isso é o que eu estou pensando também."

"Pois bem..."

Pondo as mãos no meio das costas e empreguiçando com um velho, Kakashi diz: "Quem você acha que deve ser enviado?"

"Eu irei."

"Huh?" Os olhos de Kakashi arregalaram-se. "Você é o representante de Konoha. Você possui um monte de deveres para com a União. Não há nenhuma necessidade de você ir a uma missão de assassinato neste momento."

Assassinato...

Kakashi finalmente colocou em palavras. O pensamento que vinha martelando sua cabeça tinha sido posto em jogo.

Se a União Shinobi e o País do Silêncio entrassem em guerra, a União recém formada seria comprometida, quem sabe até rompida. Cada nação estava exausta, apesar da recuperação até agora, não havia uma única pessoa que desejasse mais uma guerra.

Se a mensagem de Sai for confiável, então, assassinar Gengo seria a maneira mais rápida e eficaz de impedir que o País do Silêncio perturbe ainda mais a paz duramente alcançada no mundo.

"Temos que manter o círculo de pessoas que sabem sobre o assunto o menor possível." Disse Shikamaru.

"Mas, estou dizendo, se você ir..."

"Um dos meus companheiros foi levado. Por favor, me deixe ir."

Kakashi parou de falar quando viu a determinação de Shikamaru.

Como Kakashi disse, não havia necessidade real de Shikamaru ir. Teria sido mais adequado encontrar outra pessoa capaz e confiar o assunto a ele.

No entanto, o próprio Shikamaru se ofereceu.

Ele próprio não entendia por que fez isso.

Mas ele simplesmente não conseguiu ficar parado.

"E com isso, a reunião deste mês terminou. Alguém tem alguma pergunta?"

Shikamaru fechou os olhos enquanto ouviu a desapaixonada voz reverberar pela reunião. O homem de óculos que fala é Chōjūrō, um shinobi de Kirigakure. Shikamaru o conhecia desde a guerra como um dos guarda-costas da Mizukage.

"Se ninguém tem nada a perguntar, então, Shikamaru-san..." Chōjūrō falou com um tom suplicante de onde estava sentado, ao lado dele.

Shikamaru abriu o olho direito em direção a Chōjūrō, em seguida, lentamente abriu o outro olho.

Dez shinobi estavam sentados em torno de uma mesa circular; homens e mulheres poderiam ser encontrados, todos próximos da idade de Shikamaru.

Eles estavam no País do Ferro; Sede da União Shinobi.

O país tinha um grande número de samurais, por isso, não havia necessidade de um único shinobi. Antes da guerra, os Kage das Cinco Grandes Vilas Ocultas realizaram reuniões no País do Ferro, agora era sede da União Shinobi, fundada por estes cinco poderosos. As raízes da sede da União foram estabelecidas no País do Ferro, onde inicialmente a Aliança havia começado.

Todas as principais vilas das Cinco Grandes Nações empregaram alguns de seus shinobi na sede da União, seja noite ou dia, eles trabalham duro para uma plena expansão do Mundo Shinobi.

Esta reunião estava cheia de pessoas que carregam o fardo para a próxima geração do mundo shinobi. Era o lugar onde foi discutido o futuro dos shinobi. Os ninjas enviados para a reunião são os mais capazes de suas vilas, considerados candidatos a Kage, bem com outras posições. Entre eles, Shikamaru e Chōjūrō eram os mais jovens.

Além de Shikamaru e Chōjūrō, que estava presidindo a reunião, estão presentes Temari de Sunagakure, e Omoi de Kumogakure.

Shikamaru tinha sido escolhido como líder deste encontro shinobi. Obviamente, ele não havia se voluntariado. Foi o resultado por todos recomendá-los para o trabalho.

"Shikamaru-san?" Chōjūrō falou com um ar preocupado pelo longo silêncio de Shikamaru.

Shikamaru pigarreou, olhando para todos os membros, abriu a boca para falar.

"Acredito que nós não temos novos tópicos em discussão para esta reunião. Espero que para as outras reuniões o lugar seja tão confortável quanto esse. Com isso, nós vemos no próximo mês."

Quando disse isso, Shikamaru levantou-se e reuniu todos os pergaminhos e documentos que haviam sido espalhados pela mesa. Dobrou-lhes debaixo do braço, e virou-se para sair.

Confundidos com a fria atitude de seu líder, os outros membros estavam prontos para sair em ritmos aleatórios. Todos cansados dirigem-se para saída, os dois corredores à esquerda e à direita da sala.

Apesar de tantos shinobi inquietos andando pelos corredores, nem um único eco de seus passos foi ouvido. Eles eram shinobi, depois de tudo. Passos de outras pessoas podia ser ouvida, mas não de um shinobi. Isso tinha sido um dos princípios básicos, apreendido na academia.

"Ei." Uma voz o chamou.

Shikamaru ansiosamente estalou a língua. A dona daquela voz era da pessoa que ele menos queria falar no momento.

Ele deu um passo para frente como se não estivesse ouvido.

"Espere Shikamaru!"

A voz atingiu suas costas como uma voadora (chute).

"O que foi?" Shikamaru virou a cabeça e olhou por cima do seu ombro a mulher atrás dele.

Temari de Suna. Depois de dois anos, seu cabelo tinha ficado mais curto, e agora estava amarrado em dois cachos, um em cada lado. Seu rosto parecia um pouco mais adulto, e seus olhos eram mais calmos do que antigamente.

Ela era mais velha que Shikamaru. Ao invés de dizer que ela parece adulta, seria mais apropriado dizer que ela tinha se tornado uma esplêndida adulta.

"O que há de errado com você?" Perguntou ela.

"Não sei o que você quer dizer."

"Você tem agido estranho ultimamente." As mãos de Temari alcançaram os ombros de Shikamaru, que se virou para encará-la.

Problemático...

A palavra chegou a sua garganta, e rapidamente foi engolida.

"É essa sua atitude fria durante a reunião." Ela disse, "Você toma decisões sem dizer uma palavra e sem dar explicações, deixa todos nervosos. A atmosfera estava tensa."

"Oh, isso aconteceu?"

"Você nem percebeu que...?" Os olhos de Temari se arregalaram levemente. "O que aconteceu?"

"Nada..."

"É algo que você não contará a ninguém? Nem mesmo a mim?"

O olhar de Temari era de dor.

Desde o fim da guerra, há dois anos, ele vinha trabalhando com Temari na União. Ela era compreensiva, uma boa parceira. Ambos compartilhavam do sentimento de não querer que todos aqueles shinobi reunidos durante a guerra separassem novamente, bem como, o intuito de trabalhar em conjunto e tornar a União tão boa quanto poderia ser.

Quanto você acrescenta o forte vínculo entre Naruto, que pretendia se tornar o Hokage de Konoha, e Gaara, atual Kazekage de Suna, e fácil entender a ligação entre Suna e Konoha, a mais forte entre as vilas unidas sob a União. Com tais relações externas, era natural que Shikamaru e Temari tivessem em um estágio onde um se tornasse o apoio do outro na União.

"Uma vez que esteja assim, algo de ruim deve estar acontecendo em Konoha."

Temari teve um bom discernimento. No entanto, ele perdeu alguma coisa. O problema não estava em Konoha, embora o problema afetasse todos os shinobi de Konoha. A teoria de Temari era meio-certa, meio-errada.

Se havia uma coisa que nunca mudou sobre a vida de um shinobi, foi que qualquer coisa que ultrapassasse as fronteiras de sua própria vila deveria ser realizada em conjunto com outras vilas. Esse foi um principio básico da União. O curso da ação que Shikamaru e Kakashi estavam tomando era uma flagrante violação.

E ainda, Shikamaru não tinha a intenção de contar a verdade para Temari. Não seria uma jogada inteligente envolver a União com os assuntos do País do Silêncio.

Havia sido decidido que Konoha lidaria com isso por conta própria...

"Você está dizendo que nada acontece com você para que precise recorrer a mim?"

"Nada."

O tom firme de Shikamaru fez Temari fechar os olhos.

"É assim que...”.

O soco veio no momento seguinte.

Em uma fração de segundo o olhar magoado no rosto de Temari se transformou em puro ódio. Não houve tempo para evitá-lo. Antes de Shikamaru perceber o que estava acontecendo, seu corpo já estava no ar.

Ele rolou pelo corredor e caiu sentado. Ele silenciosamente levou a mão ao rosto ardendo, avermelhado.

Diante dele, Temari olhava com uma expressão indignada no rosto.

"Eu não sei se o julguei mal!" Ela gritou as palavras batendo no vento que sopra contra seu rosto.

"Eu sinto muito...”.

O pedido de desculpas veio de forma inconsciente.

Seu pai chegava em casa tão tarde, ao nascer do sol em alguns dias, ao ponto de ser recebido aos gritos por sua mãe. De qualquer forma, Shikamaru tinha encontrado o mesmo sofrimento na bronca de Temari.

Ela passou por ele em passos largos, e desapareceu por cima de seus ombros.

Aqueles olhos pareciam um pouco marejados...

"Você parou de comer."

A voz veio de Chouji que estava sentado na sua frente, seu rosto inchado de comida. Ino estava sentado ao lado dele.

Eles estavam no Yakiniku Q.

Nos dois anos de guerra, seus dois amigos tinham se tornados bem mais adultos. Chouji ainda era rechonchudo, mas havia um olhar masculino em seu olhos, e ele agora tinha cavanhaque. Ino deixará seu cabelo crescer mais e mais, abandonando seu rabo de cavalo, deixando-o solto, parecia mais adulta em comparação a antes.

"Você comeu algo antes de vir aqui?" Chouji abriu a boca para por mais carne, mastigando e engolindo goela abaixo.

"Shikamaru e eu já paramos de crescer faz algum tempo, por isso, não estamos comendo de forma absurda como você, Chouji."

"Hey!" Os olhos de Chouji se arregalaram de indignação.

Shikamaru riu sem pensar. Uma brisa soprava acalmando seu coração. Fazia um tempo.

"Eu vim especialmente para almoçar com vocês dois, como eu poderia ter comido alguma coisa antes?" Dizendo isso, Shikamaru levou seus pauzinhos (hashi) a um pedaço de carne que estava prestar a queimar.

Outro par de pauzinhos interceptou o dele.

"Ei, essa é a carne que eu coloquei na grade!" Chouji protestou.

"Tudo bem, tudo bem."

Eles tinham passado por isso várias vezes. Shikamaru deixou o pedaço de carne, e voltou o olhar sobre o pedaço ao lado dele. Ele olhou para Ino, que deu um aceno de permissão.

"Faz um tempo desda última vez que você nos convidou, Shikamaru." Disse ela.

"Sim", Chouji acrescentou: "Ultimamente, não consigo ver você, a menos que definimos um tempo para nos encontrarmos como este."

"Shikamaru tem um emprego na União além de ser o braço direito do Hokage. Ele é super ocupado, Chouji, ele não pode sair com a gente todo hora."

"Eu entendo isso, mas..." Chouji colocou os braços sobre a mesa, as bochechas inflam quando ele fez beicinho.

Embora parte de Shikamaru tenha ficado feliz por terem sentindo sua ausência, outra parte dele também se sentia solitário, com a distância de tempo que viria com a próxima separação.

Se ele queria ser adulto, então ele tinha que parar de pensar como uma criança. Eles estavam a muito tempo fora da Academia. As coisas não eram as mesmas daqueles dias em que ele poderia passar o tempo brincando com seus amigos até o anoitecer.

Da mesma forma que Shikamaru acumulava o trabalho da União e suas responsabilidades com Konoha, Ino e Chouji, que lutaram na última guerra, tornaram-se Chunin confiáveis. Embora dissessem que era porque Shikamaru estava tão ocupado, seus dois amigos tinham pouco tempo livre como ele também.

Mesmo assim, eles vieram encontrar com ele sem uma única palavra de queixa, simplesmente porque ele disse que queria vê-los.

Eles eram seus mais antigos e próximos amigos.

"O que foi?" Ino perguntou quando viu que os pauzinhos de Shikamaru pairavam no ar, sem se mover.

"Não é nada. Só queria ver vocês por um tempo." Shikamaru deposita um pedaço de carne na sua boca.

"Ah, certo."

Ino não perguntou se havia algo mais do que isso. Chouji continuou alegremente enchendo a boca de carne.

Em seguida, os três começaram a falar. Era um conversa despreocupada e boba.

O amor eterno de Chouji por comida.

Ino e a conversa habitual sobre sua vida amorosa.

E então, as lembranças sobre Asuma...

Shikamaru podia sentir que a distância entre ele e seus amigos encolhia. Era quase como se ele voltasse no tempo, para o momento que Asuma os trouxe aqui pela primeira vez.

Naquela época, ele era cheio de reclamações sobre como as coisas eram 'problemáticas'...

Olhando como Chouji e Ino tinham crescido, Shikamaru pôde sentir seu coração resmungar sobre como eles nunca seriam capazes de voltar aos velhos tempos.


Shikamaru foi para casa sozinho.

Ao final do dia, ele não tinha sido capaz de dizer-lhes.

Ele pensou que se iria para o País do Silêncio, então, iria com eles dois. Ele tinha esse pensamento em mente quando os convidou para comer fora. Mas vendo seus rostos alegres, de um jeito ou de outro, ele foi incapaz de dizer alguma coisa.

A estrada que ele seguiria era escura.

Por seu amor a Konoha, por seu amor a União, para o bem de todos os Shinobi, um homem tinha que ser morto.

Não foi uma vitória que poderia ser adquirida a partir do jogo limpo. E por isso, ele tinha que ser morto em segredo.

Assassinado.

Não que o assassinato fosse algo novo para um shinobi. Crescendo, você percebe mais cedo ou mais tarde que coisas desse tipo foram necessárias neste mundo.

Mas ainda...

Para ele quanto menor o número de pessoas que sujassem as mãos melhor seria. Ele não tinha como arrastar Chouji e Ino para a escuridão também.

"Então, é a ANBU depois de tudo...”.

Shikamaru olhou para o céu noturno, e não podia ver uma única estrela.

Shikamaru estava no escritório de Kakashi. O Sexto Hokage estava cercado por montanhas de documentos, como sempre. Sua mão, apressadamente, assinava os papéis com se não houvesse amanhã, esperando que a exaustão o abatesse.

A janela do outro lado da sala havia sido aberta, você pode ver as ruas de Konoha. A cidade parecia brilhar sob a luz brilhante do sol da manhã, envolvendo a vila em um ambiente calmo e gentil.

"Eu fiz você esperar." Kakashi disse ao endireitar um maço de papéis em sua mesa. "Que negócio você tem comigo hoje?"

"O País do Silêncio."

"Ah, isso..."

Shikamaru ainda não terminará o seu relatório sobre a reunião da União, no outro dia. Não havia nada de especial para relatar, então ele tinha deixado de lado.

"Está tudo na mesma na União, como de sempre. Ela é composta por um conjunto de pessoas capazes, não há nada com o que se preocupar."

"Você é uma dessas pessoas capazes também."

Ele realmente era? Ele realmente era a pessoa apta para representar Konoha?

"Você realmente pretende ir?", perguntou Kakashi.

"Sim."

Kakashi soltou um suspiro em sua resposta.

"É realmente necessário você ir?"

"Sai foi capturado. A nossa vila perdeu um grande número de shinobi, tanto aqueles que desapareceram durante a guerra e aqueles outros que desapareceram depois. Se eles deixaram a vila por sua própria vontade ou se foram capturados por Gengo, é algo que devemos verificar."

"Você está bem determinado, hein."

Shikamaru assentiu silenciosamente.

Kakashi fechou os olhos e balançou a cabeça. Ele olhou para Shikamaru novamente.

"Entendi. Não vou dizer mais nada. Quem você está pensando em levar? Você não está pensando ir sozinho, está?"

"Você poderia me designar dois membros da ANBU?"

"Huh..." Kakashi segurava o queixo com uma das mãos, o cotovelo em descanso sobre sua mesa. Havia um olhar sério em seus olhos. "Porque não Ino e Chouji?"

"A combinação InoShikaChou pode ser usado para ataques furtivos, no entanto, eu acho que ela não se encaixa nos requisitos para essa missão."

"Por causa do assassinato, certo?"

"Até porque, a infiltração é uma parte significativa desta missão. Quero pessoas que consigam esconder seu chakra."

"Hmm..."

Kakashi fechou os olhos e pensou. Ele estava assimilando a proposta de Shikamaru e comparando com todas as opções dentro da sua cabeça.

"Aquele que dará o golpe mortal não será você, certo?"

"Eu pretendo usar o meu jutsu para amarrar o alvo."

"Então você precisa de alguém para dar o golpe final." Kakashi concluiu o que estava pela frente. Ele entendeu o que Shikamaru estava pensando.

Dois ANBU...

Um que poderia manipular chakra, e ocultar sua presença. Outro que realizaria um jutsu que poderia finalizar o inimigo.

"Eu tenho as pessoas adequadas." Disse Kakashi.

"Obrigado."

"Eu vou fazer os preparativos."

"Você não tem nada para me dizer sobre meus outros deveres?", perguntou Shikamaru.

"Nenhum dos seus outros deveres é mais urgente do que esse assunto." Disse Kakashi, você poderia sentir que naquele momento ele realmente era o Hokage.

Ele calmamente avaliou a importância relativa de cada assunto, e com decisões rápidas e firmes sobre o que estava a ser realizado. Por ele ser capaz de fazer o que tem que fazer os shinobi podem trabalhar sem preocupações, e dar tudo si para a vila. Shikamaru pensou que não seria capaz de trabalhar sem ele.

Ele não tinha pensamentos do tipo 'Eu quero ser Hokage'. Mas ele não poderia mentir dizendo que não sentia nem um pouco motivado para crescer. Na frente de um homem como Kakashi, Shikamaru ainda era jovem e inexperiente, incapaz de ser comparado a ele, ele se sentiu frustrado.

"Eu vou comunicar os dois para retornarem imediatamente. Você pode espera um pouco mais, certo?"

"Por favor, faça o mais rápido possível."

"Eu entendo." Kakashi sorriu sob sua máscara e se levantou. Ele virou as costas para Shikamaru, olhando pela janela aberta.

"Você não deve sobrecarregar-se muito, você entende." Kakashi murmurou.

Shikamaru não respondeu.

Sobrecarregando-se...

Talvez seja.

De certa forma, ele mesmo não conseguia entender. Shikamaru de alguma forma acabou acumulando muitos, muitos fardos.

Mesmo quando ele descobriu coisas incômodas, de uma forma ou outra ele acabou guardando dentro de si, levando elas consigo. Apesar de todos esses fardos ficarem pesados demais para ele suportar, ele não poderia jogar fora nenhum deles, também.

Shikamaru estava com medo também.

Ele tem a sensação de que poderá acabar jogando tudo fora, perdendo-se no processo. Ele começou como alguém que achava tudo um incômodo. Se ele colocar para baixo do tapete todas as suas responsabilidades e encargos por apenas um momento, será provável que ele consiga pegá-los de volta?

E quando isso acontecer, não será o caso de que alguém precise dele?

O pensamento por si só era insuportavelmente assustador.

"Eu vou te dizer o que acho agora." Kakashi ergueu a mão esquerda no ar, deixando minúsculos relâmpagos crepitarem em torno de sua pessoa. "Neste momento, eu realmente queria abandonar todos os meus deveres como Hokage e ir para o País do Silêncio."

Shikamaru podia ouvir claramente a frustração no coração de Kakashi: como o homem que queria abandonar tudo para ir matar Gengo com suas próprias mãos.

Mas as responsabilidades da posição de Hokage não poderiam ser abandonadas tão facilmente.

"Honestamente." Kakashi disse, "Eu acho indesculpável que eu o sobrecarregue com isso."

"Naruto e eu, e qualquer outro dos nossos colegas, nós já atingimos as metas de responsabilidades e encargos para todas as posições. Não há necessidade de você tomar conta dessa sozinho."

"É por isso mesmo...”.

O relâmpago na mão esquerda de Kakashi esvaiu-se.

"Shikamaru." Kakashi olhou por cima do ombro de Nara. "Eu me pergunto o que significa ser um adulto, às vezes."

"Por favor, não olhe para mim em buscar dessa resposta." Shikamaru suspirou.

"Eu vou retornar novamente", disse Shikamaru a lapide. Afastando-se, seus olhos focalizados no nome gravado na pedra: Nara Shikaku.

Naturalmente, ele queria visitar o túmulo de seu pai depois que sua reunião com Kakashi terminou.

O que significa ser um adulto? Parecia que ele poderia encontrar a resposta à pergunta de Kakashi aqui, do que em qualquer outro lugar.

Na Quarta Guerra Mundial Shinobi, seu pai foi colocado ao lado dos Cinco Kage na sede aliança. Depois que os Cinco Kage foram para a linha de frente da batalha, devido a gravidade do conflito, o pai de Ino e o pai de Shikamaru foram encarregados de dar as instruções para todo o exército.

Então, Obito ressuscitou a Dez Caudas e disparou a Bijudama para causar caos em meio ao exército da Aliança. Antes que o golpe mortal o atingisse, os últimos momentos de Shikaku foram gastos para pensar e transmitir novas estratégias para o exército.

Ele tinha sido um shinobi até o fim.

Não...

A verdade era que em seus últimos momentos Shikaku tinha sido um pai. Apesar de que o único que sabia disso era Shikamaru, seu filho.

O que é ser um adulto?

Shikamaru pensou sobre isso por um tempo.

Dizendo adeus ao túmulo de seu pai, os pés de Shikamaru o levaram a próxima pessoa que ele queria visitar.

A sepultura de seu professor.

Sarutobi Asuma...

Ele era um homem que havia recusado o caminho pelo qual foi definido, mesmo sendo carne e sangue do Terceiro Hokage, e em vez disso permaneceu constantemente na linha de frente.

Depois que Shikamaru se formou na Academia, foi sob os cuidados de Asuma que ele foi galgado ao shinobi que ele é hoje. Junto com Ino e seu melhor amigo Chouji, os três constantemente perseguiam Asuma, batalhando em cada uma das missões.

Asuma, que passou dessa para melhor com um cigarro na boca e com sua atitude intacta, tinha sido tudo o que Shikamaru aspirava em ser.

E, no entanto, Asuma não podia ser mais encontrado neste mundo.

Ele morreu, em uma batalha contra a Akatsuki, grupo que tinha planos para dominar o mundo.

Ele morreu para que Shikamaru pudesse viver...

Asuma tinha entendido que não tinha chance de ganhar contra as habilidades desumanas dos membros da Akatsuki, que haviam sido confrontados, e morreu arriscando sua vida para proteger Shikamaru e seus outros companheiros.

Ele também passou seus últimos momentos pensando nos outros.

Shikamaru ainda tinha que encontrar qualquer coisa para proteger, sacrificando-se por ela.

Claro, o povo da vila e todos os seus companheiros eram extremamente precisos para ele. Mas o sentimento era diferente do exacerbado, ferozmente, pelo seu pai e Asuma.

Talvez isso significa que Shikamaru não tinha se tornado um adulto.

Ele pensou, em primeiro lugar, que a palavra ambígua "adulta" se refere a uma criança que em algum momento ficasse presa no corpo de alguém mais velho.

Nesse caso, Kakashi era uma criança no coração.

Mas Kakashi já tinha algo que ele trocaria sua vida para proteger.

'Para um Hokage, cada pessoa da vila é como seu filho. ' Essas foram às palavras do pai de Asuma, o Terceiro Hokage Hiruzen.

Talvez quando Kakashi escolheu se tornar Hokage, ele se tornou adulto.

Ele não tinha certeza sobre qualquer coisa mais...

"Shika niichan!"

Shikamaru foi despertado de seus pensamentos pelo som daquela voz despreocupada atingindo seus ouvidos.

Uma criança rechonchuda foi cambaleando em sua direção. Balançando da esquerda para direita com a passada um pouco desajeitada, ela fez o caminho até ele passo a passo.

"Mirai." Shikamaru chamou seu nome, sua voz naturalmente virou alegre e apaixonada. Suas feições tensas suavizaram, e sua boca moveu-se se transformando em um sorriso.

"Gyaa!" Mirai finalmente o alcançou, e se agarrou em suas pernas com seus curtos braços. "Shika niichan!"

A criança olhou para ele com deslumbrantes olhos brilhantes, seu pequeno rosto dividido em largo sorriso. O sorriso da criança era como o sol, Shikamaru podia sentir seu coração congelado derreter frente ao seu calor.

"Já faz um tempo, Shikamaru."

"Kurenai-sensei." Shikamaru cumprimentou a mulher de cabelo escuro, mãe de Mirai.

"Eu não sou mais uma sensei, você pode parar de me chamar assim." Disse ela, sorrindo.

Sarutobi Kurenai...

Originalmente, ela era uma líder jounin como Kakashi e Asuma, a cargo de uma equipe composta de outros colegas de Shikamaru. Mas agora ela era uma mãe que dedicou todo seu tempo a maternidade.

"Você veio visitar o túmulo de Asuma?" Ela perguntou.

"Sim."

"E o túmulo de seu pai."

"Eu acabei de visitá-lo."

Ouvindo a conversa e ainda agarrada a perna de Shikamaru, Mirai sorriu e ergueu a cabeça.

"Shika niichan! Papai eu encontrei!"

Embora a criança conseguisse pronunciar apenas frases entrecortadas, ela estava explodindo com a necessidade de transmitir tudo que podia. Olhando para Mirai, abaixo, o coração de Shikamaru aqueceu.

Para se tornar professor dessa criança...

Era uma promessa que ele tinha feito para ambos, Asuma e Kurenai.

"Deixa eu ver, você veio ver seu papai, hein?" Shikamaru agachou-se para que pudesse falar com ela olho no olho.

Mirai deu um aceno muito contente por ter sido compreendida.

"Uau, como você cresceu, Mirai." Disse Shikamaru, batendo suavemente na cabeça. O toque suave no cabelo ainda aveludado da criança parecia viajar ao longo do seu braço, e por todo o caminho até o seu coração, transformando-se em um brisa que acalma seu interior.

"Cresça logo, tá?"

"Mm."

"Você realmente ama Shikamaru niichan, hein Mirai?", disse Kurenai.

Mirai concordou tão forte com a cabeça que quase tombou para frente, e Shikamaru estendeu as duas mãos para agarrá-la.

Por causa desta criança, ele não poderia morrer, ainda não...

"Certo!"

Mirai balbuciou a palavra do seu jeito, ele sentiu com se as palavras fossem direto para seu coração.

"Bem, obrigado por gostar por mim."

Shikamaru pegou Mirai e a ergueu no ar. Com seus dois anos de idade ela gritou com o riso encantador. Shikamaru pensou mais uma vez, muito mais forte do que antes:

Eu simplesmente não posso morrer.

Em pé na frente de Shikamaru dois novos rostos brancos: um gato e um macaco.

Naturalmente, os rostos animais eram apenas das máscaras, e do pescoço para baixo os dois ANBU eram completamente humanos. Eles estavam com uniformes negros como azeviche que se agarravam sobre suas peles, bem como os coletes de Konoha, recentemente redesenhados.

Os antigos coletes possuíam bolsos em ambos os lados do peito, para que o shibobi armazenasse pergaminhos e ferramentas ninjas, mas o novo projeto os eliminou, deixando-o mais simples. Foi um efeito colateral desta era pacífica, que tinha chegado após o fim da guerra.

Onde deveria haver olhos, como se pintados nas máscaras dos dois ANBU, buracos profundos tinham sido feitos, cavernas escuras. Ambas as máscaras tinham bocas finas pintadas sobre ela, que se curvavam uma de frente à outra. A máscara do gato tinha finas marcas vermelhas sob os olhos. A máscara do macaco havia desenhado densas sobrancelhas vermelhas que o fizeram parecer carrancudo de temperamento. Ambos os ANBU tinham as mãos atrás das costas, as fendas dos olhos em suas máscaras exalavam tal sentimento que Shikamaru sentia como se estivesse sendo avaliado.

"Se é estes dois, acho que eles podem fazer tudo o que você está esperando." Disse Kakashi, de onde estava sentado atrás de sua mesa.

De onde Shikamaru estava de pé, o ANBU mascarado-gato estava à direita, e o mascarado-macaco estava à esquerda. Os dois ANBU tinham uma grande diferença de altura. O Macaco tinha 176 cm, pouco mais alto que Shikamaru, enquanto que o Gato mal dava nos ombros de Shikamaru.

Assim, o mascarado-macaco era do sexo masculino, e o gato-mascarado do sexo feminino...

Mesmo sem uma diferença de altura entre eles (Shikamaru e ANBU), sua estrutura corporal era muito evidente.

"Para ambos, tirem suas máscaras." Instruiu Kakashi.

As mãos dos ANBU ergueram-se para alcançar suas máscaras após o comando de Kakashi, lentamente abaixando-as e revelando o humano abaixo delas.

Era costume da ANBU usar máscaras com rostos de animais. Uma vez que suas principais missões eram sombrias, como assassinatos ou causar distúrbios em países estrangeiros, eles detestavam deixar que alguém descobrisse suas identidades. Mesmo a maioria dos cidadãos de Konoha não sabia quem era ou não da ANBU.

'As pessoas que vêm e vão da vila sem comer nada são ANBU.' Havia muitos rumores e especulações como essa.

"O homem é Rou, e a menina é Soku."

Os dois ANBU inclinaram, saudando Shikamaru em tempo da introdução de Kakashi.

"Para ter uma menina tão jovem como ANBU..."

"É impensável, certo?" Soku cortou o murmúrio de Shikamaru. "Mas, no mundo shinobi, competência é tudo, eu entrei na ANBU provando o valor das minhas habilidades, sabe."

"Ela está certa." Kakashi concordou com Soku.

Shikamaru não podia negar que ele ficou surpreso. Soku era extremamente jovem. Ela era, pelo menos 5 ou 6 anos mais jovem do que Shikamaru, e deve ter recém saída da Academia. Ela tinha bochechas rechonchudas ligeiramente avermelhadas, macias como bumbum de neném, mas também uma boca fina, criando uma carranca sinistra que irradiava determinação. Suas sobrancelhas finas estavam arqueadas, e seus olhos brilhavam de autoconfiança.

Algo nela fez Shikamaru se sentir como se está fosse a versão criança de Temari.

"Hinoko foi reconhecida por suas habilidades e foi absorvida para ANBU no minuto seguinte que se graduou na Academia. Apesar dos 14 anos, ela realizou um grande número de missões." Disse Kakashi. "Ela está bem adaptada a ANBU."

"Não é bom julgar as habilidades de alguém com base unicamente em suas aparências, sabe." Disse Soku, estufando um pouco as bochechas. "E Hokage-sama, eu contínuo a pedir-lhe para não me chamar pelo meu verdadeiro nome, sabe."

"Hinoko... É um nome tão bonit-"

Em um piscar de olhos, Soku tinha desaparecido da linha de vista de Shikamaru e antes que ele soubesse o que estava acontecendo, um dedo de um tom laranja brilhante, que continha um chakra disforme, estava pressionando sua testa.

"Eu odeio ser chamado pelo meu verdadeiro nome, sabe. Tenha cuidado para não fazê-lo."

Shikamaru podia sentir uma espécie de estática a partir da ponta do dedo indicador de Soku. Parecia uma versão incrivelmente menor do Raikiri de Kakashi.

O chakra estava estourando a partir da borda dos dedos de Soku...

"Pare com isso agora, Soku."

Aquele que falou era o homem que tinha retirado à máscara de macaco. Kakashi o apresentou como Rou. Ele tinha sobrancelhas grossas, uma mandíbula forte e era teimoso, os olhos estavam mirando Soku em desaprovação.

"Eu tenho que deixar isso claro desde o início, sabe." Soku rebateu. "Não vou permitir ser desprezado por esse garoto, sabe."

"Minha culpa. Serei cuidadoso no futuro." Shikamaru deu um simples pedido de desculpas. Não havia necessidade de agravar a situação ainda mais, ele também não tinha tempo para lidar com o temperamento da garota.

Soku voltou seu olhar de Rou para Shikamaru.

"Contanto que você entenda, sabe." Ela deu-lhe as costas e retornou para onde estava originalmente, assumindo a mesma posição, com as mãos atrás das costas.

"Rou pode manipular livremente a qualidade e quantidade de chakra; tanto a sua própria, como a de qualquer um que ele tiver como alvo e conhecidos." Disse Kakashi, Rou deu um pequeno aceno de cabeça.

"Isso significa que você pode aumentar seu chakra?" Perguntou Shikamaru.

"Uma pergunta inteligente." Comentou Kakashi.

"O chakra que eu posso mudar é somente aquele que é percebido pelos outros." Disse Rou. "Para explicar, se eu aumento o seu chakra, Senhor Shikamaru, eu não seria capaz de alterar o seu potencial de combate real. Seu chakra só iria parecer maior na percepção de outras pessoas. Em outras palavras, meu jutsu não será eficiente, se o assunto envolvido não for a manipulação de chakra para criar um engodo."

Rou tinha um padrão de fala muito antiquada, e juntamente com seu porte, aparência dura como rocha, ele parecia mais um samurai do que um ninja.

Shikamaru deu um aceno ao homem para mostrar a ele que entendeu sua explicação, e, em seguida, abriu a boca para falar novamente.

"Quando você diz que pode mudar a quantidade de chakra percebido, isso significa que você pode apagá-lo completamente também?"

Não importa como você olhasse para ele, Rou definitivamente tinha seus quarenta anos. Ele era pelo menos vinte anos mais velho do que Shikamaru.

"Isso é possível. Eu posso fazer o chakra de qualquer alvo desaparecer da maneira que você descreveu, ao mesmo tempo, permitir que você o rastreie Senhor Shikamaru."

Com a maneira antiquada de ele falar, Shikamaru esperava algo como 'acossar' em vez de rastrear, ele ficou um pouco consternado ao ouvir uma palavra moderna sair aleatoriamente.

"Eu pensei que seu jutsu fosse o mais adequado para o trabalho, o que você acha?" Perguntou Kakashi.

"Funcionará. E a pequena?" Perguntou Shikamaru, voltando o olhar para Soku.

As sobrancelhas da menina se contraíram ao ser chamada de 'pequena'. A criança não parecia estar ciente de que ela era uma criança. Shikamaru não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou ruim para a utilidade que ela teria na missão.

"Uma demonstração seria bom, você não acha?" Disse Kakashi para Soku.

A menina acenou com a cabeça e se virou. Ela estendeu o braço esquerdo, por isso estava de frente para a janela aberta no escritório de Kakashi. Em linha reta com o que ela estava apontando, Shikamaru podia ver uma andorinha voando.

"Todo o meu jutsu é sobre agulhas de chakra, sabe..." Soku murmurou, um flash laranja de chakra explodiu de seu dedo indicador.

Naquele momento, a andorinha que havia se assustado com o som alto, rapidamente voou para se esconder atrás de um pilar do lado de fora da janela.

Se Soku desferisse seu chakra naquele momento, não havia maneira alguma de que pudesse acertar seu alvo. Seu chakra teria atingido a coluna e deixaria apenas um arranhão em sua superfície.

Mas...

Não ouve um único arranhão no pilar, do outro lado, a andorinha soltou um estridente e agudo pio.

Shikamaru correu para a janela. Inclinou-se para fora e dobrou o pescoço, seus olhos procuraram nos arredores a andorinha que estava voando, ele encontrou a ave no chão. Ela parecia bem morta.

"Eu não quero que você me entenda mal, sabe. Sou contra a perda de vidas sem sentido." Falou Soku atrás dele.

Enquanto falava, Shikamaru olhou como a andorinha lentamente voltou aos seus sentidos, bamboleando seus pés ao levantar-se. Em seguida, ela tinha alçado voo, voando ainda mais alto do que antes.

"Eu fiz com meu chakra revitalizador perfurasse o alvo desta vez, de modo que ela recebeu muito mais energia do que tinha alguns segundos atrás, sabe."

"Como você consegui passar pelo pilar?" Perguntou Shikamaru, retirando sua mão de fora do parapeito e virando-se para Soku.

A menina solyou uma risada que revelou sua idade, em seguida, mostrou a língua em tom de zombaria.

"Uma vez que tenho uma visão do meu alvo, não importa se ele sair da minha vista ou não, minha agulha de chakra irá segui-lo em qualquer lugar, sabe. Minha agulha nunca irá parar seu caminho até atingir o seu alvo."

Então.

O jutsu de Rou irá apagar a presença de seus chakra, e deixá-los infiltrar nas fileiras inimigas sem ser detectado. Quando chegassem ao alcance de Gengo, Shikamaru usaria seu Kagemane para prendê-lo. E então o golpe mortal viria da infalível agulha de chakra de Soku.

Estava certo.

Eles podiam realmente realiza-lo.

"Posso perguntar uma coisa?"

"Você pode, sabe." Soku deu um sorriso cheia de confiança.

"Você pode parar de usar 'sabe' para o final de suas frases?"

Eles estavam vindo.

O inimigo.

Oto-nin.

Subordinados de Orochimaru.

Sem espera...

Desde quando eu estava sendo perseguido?

Eu era o único que deveria estar perseguindo alguém.

Alguém que deve ser salvo.

Uchiha Sasuke.

Um colega que poderia fazer qualquer coisa perfeitamente, mas com uma personalidade desagradável.

...Mas ele era um companheiro. Ele realmente tinha que ser salvo.

Eu estava liderando uma equipe pela primeira vez. Fracasso não era uma opção.

Meus companheiros...

Meus companheiros estavam ficando para trás, um após o outro.

Chouji.

Kiba.

Neji.

E, em seguida, Naruto...

Nós fomos cercados pela escória Oto-nin.

Sinto muito...

Sinto muito, todo mundo.

Da próxima vez, não vou falhar.

Então, por favor, por favor, não morram-

"POR FAVOR!"

Shikamaru acordou com o som de seu próprio grito desesperado, com a órbita dos olhos dilatadas de pânico. Seu corpo inteiro estava encharcado de suor.

Ele estava sonhando...

Tinha sido sua primeira missão depois de se tornar chunin: recuperar o nukenin Uchiha Sasuke que tinha deixado a vila sob orientação de Orochimaru.

Seus companheiros tinham sido vários colegas, entre eles Neji. Eles caíram, um por um, durante a perseguição a Sasuke. Shikamaru tinha decidido confiar em Naruto e enfrentou um ninja do som em uma luta mano a mano.

E o resultado dessa decisão, Sasuke deixou a vila e todos os seus companheiros sofreram ferimentos graves.

Como chunin, como um líder, sua primeira missão tinha terminado em tremendo fracasso.

Shikamaru colocou a palma da mão em sua testa encharcada de suor, e lentamente puxou uma profunda respiração.

Por que ele teve um sonho como esse?

Até agora, ele nunca tinha tido sonhos com esse evento.

Entretanto, era fato que cicatrizes do incidente foram deixadas em seu coração. Shikamaru via a missão de resgatar Sasuke como seu maior fracasso, e nunca deixou de pensar nisso quando julgava a si mesmo.

Ele nunca foi jogando contra a parede como naquele dia...

Os sonhos eram uma manifestação de seu subconsciente.

Sendo assim, sinto com se estivesse sendo jogado contra a parede agora?

"Está tudo bem... Está tudo bem, Shikamaru..."

Apesar de ir contra sua vontade de se acalmar, as palavras saíram da boca de Shikamaru antes que ele pudesse detê-las. Seu coração ainda batia forte, o sangue que ruge contra seus tímpanos era como um sinal de alerta constante.

Parecia que ele não seria capaz de adormecer novamente esta noite.

Eles estavam apenas aguardando o nascer do sol.

Um grupo de garotos em torno dos 10 anos atravessa a rua, rindo com uma alegria aparentemente interminável. Em uma distância atrás deles, um homem mal-encarado com seus trinta anos corre para algum lugar.

As crianças provavelmente iam para a Academia, enquanto que o homem deveria estar indo para o trabalho.

No lado da rua, havia uma loja que vendia acompanhamentos (refeições que seguem o prato principal) no início da manhã, a frente da loja estava cheia de donas de casa fofocando com gestos animados.

Foi o cenário habitual de uma manhã corriqueira.

Nesta manhã calma, Shikamaru estava caminhando ao longo da rua principal, que começa a partir dos grandes portões de entrada de Konoha e segue direto para a Residência do Hokage. A rua termina atrás da residência, no Monumento Hokage, onde todas as últimas gerações de Hokage foram esculpidas na montanha.

O destino de Shikamaru era o último. Ele tinha alguns negócios lá.

Normalmente, quando um shinobi recebe missões fora da vila, eles deixam Konoha através dos portões principais. Não havia qualquer regulamento especial, que dissesse que fosse assim, mas havia uma tradição nisso.

A ANBU era a única exceção. Eles tratavam de muitas missões secretas, por isso, a fim de manter suas partidas desconhecidas para os demais cidadãos de Konoha, tinha sido estipulado que eles sairiam pelas portas dos fundos, encontradas atrás da montanha do Monumento Hokage.

Essa porta dos fundos era o destino de Shikamaru. A missão desta vez estava sendo mantida em segredo de todos da aldeia. Os únicos que sabiam eram Kakashi, um punhado de shinobi seniores, e, é claro, o próprio Shikamaru, bem como, seus companheiros Rou e Soku.

Ele tinha com Kakashi um plano para acobertar sua ausência na vila. Se alguém perguntasse onde ele estava, seria dito que Shikamaru tinha negócios com a União fora dos limites da vila.

O cenário ideal era esgueirar-se para fora da vila sem que ninguém percebesse sua partida, e voltar antes que alguém se incomode com sua ausência.

"Hm?" Shikamaru rapidamente fez o trajeto até os portões de trás; ele notou um homem de cabelo louro em seu campo de visão.

O loiro o notou também.

"Yoo, se não é o Shikamaru! Quê você está fazendo?"

Você não acreditaria que os dois tinham a mesma idade, por conta do sorriso infantil que iluminou as feições do homem que correu para o seu amigo. Suas bochechas tinham três linhas paralelas em cada lado do rosto, seus olhos azuis estavam livres de qualquer dúvida ou hesitação.

"Isso era eu que deveria perguntar. O que você está fazendo aqui tão cedo, Naruto?"

Uzumaki Naruto.

Ele era o herói que havia mostrado o caminho para acabar com a última grande guerra, o filho do Quarto Hokage. A nove caudas havia sido selada nele assim que nasceu, e ele cresceu enfrentando o preconceito dos que os cercavam, e ainda assim ele jamais vacilou em sua meta de se tornar Hokage, e continuou trilhando seu caminho. Esse era o tipo de homem que Naruto era.

Nesse momento, ele era forte candidato para ser o próximo Hokage, depois de Kakashi.

"Eu não consegui dormir na noite passada." Disse Naruto: "Quando acordei esta manhã, fui rapidamente comer alguns ramen no Ichiraku, e agora estou voltando para casa."

"Você foi pro restaurante tão cedo, assim?"

"Ultimamente, eles têm aberto 24 horas por dia, 7 dias por semana." Naruto parecia incrivelmente feliz com o fato.

"Não é isso, você está comendo ramen essa hora da manhã...”.

"Não há tempo ruim para comer ramen, seja de manhã, meio-dia ou de noite!"

"Ei, isso não é algo para se gabar."

"Metade do meu corpo é feito de ramen." Disse sério Naruto, estufando o peito com orgulho.

Shikamaru deixou escapar um suspiro.

"Você agora é conhecido como o herói que pôs fim à guerra. Tente cuidar do seu corpo às vezes."

"Heróis são heróis, e ramen é ramen!"

“... Esse raciocínio não faz sentido."

"Hahaha." Naruto riu, timidamente esfregando seu dedo na ponta do nariz.

Aquele seu comportamento não mudou nem um pouco desde a Academia. Naruto sempre viveu sua vida com uma perspectiva muito pura, simples e direta. Foi essa perspectiva que mudou os que o cercam, até mudou Shikamaru.

Naruto, que era visto como uma pedra no sapato da vila tinha mantido seu coração puro e, lentamente, fez com que mais amigos ficassem ao seu lado.

No final, Naruto tinha conseguido salvar seu amigo Uchiha Sasuke que tinha caído para as profundezas da escuridão, cheio de ressentimentos para com o mundo todo.

Salvá-lo não era uma tarefa fácil.

Não...

Pelo contrário, era algo que ninguém além de Naruto poderia ter feito.

O sonho de Naruto que estava perto de seu peito desde que ele era uma criança era um só: se tornar Hokage.

Ele não tinha parentes para dar-lhe palavras de incentivo, e a única maneira dele chamar atenção de outras pessoas era por meio de repetidas brincadeiras, mas ainda assim ele continuou insistindo que um dia se tornaria Hokage.

No começo, ninguém acreditava que ele poderia alcança-lo. Mas agora, não há nenhuma única pessoa da vila que pense que Naruto não será o próximo Hokage.

Naruto foi como o sol.

Ele tinha uma chama brilhando dentro dele com inúmeros lampejos, constantemente acesa. Foi por causa de quão intenso ele brilhou, que ele era como o sol. Todo mundo testemunhou a paixão abrir seus corações para ele, tornando-se seu companheiro.

Até agora, e até o fim dos tempos, Shikamaru sentia como Naruto iria continuar se movendo para frente sem nunca vacilar.

E esse foi o caminho que deve ser. Algum dia, Naruto seria Hokage, ganharia ainda mais confiança da vila, e depois continuaria brilhando, ainda mais, muito mais.

Por uma questão de brilho, algo como o sol nada sabe sobre a escuridão do mundo.

Até agora, Naruto travou uma guerra contra inúmeras pessoas cujos corações tinham balançado em direção à escuridão, mas ele nunca fraquejou para esse lado.

'Não importa o quão longe alguém imerge na escuridão, uma parte de seu coração mantem-se na luz. '

Naruto lutou porque ele realmente acreditava nisso. Shikamaru tinha o visto mudar os corações de seus inimigos com seus ideais muitas e muitas vezes.

Não importa o quanto a escuridão o rodeava, Naruto nunca perdeu sua luz.

É por isso que Naruto não conhecia o verdadeiro significado de 'escuridão'.

Sempre haveria trevas no coração dos seres humanos. Pensar que você poderia salvar a todos era um ideal impossível.

Não importa o quão desesperadamente você estenda a mão para salvar as pessoas e levá-los para a luz, sempre haverá aqueles poucos que escorregam entre os dedos, continuando no caminho das trevas. Era a maneira do mundo.

Mas Naruto não pensa assim. Não importa o quão desesperada era a situação, ele nunca iria desistir de salvar a todos, não importasse o destino de cada um.

Esse era o tipo de homem que era Naruto.

E Shikamaru não queria que ele mudasse.

Naruto era alguém que tinha que permanecer puro e simples, um sol que brilha.

Quanto mais a luz brilha, mais cresce a escuridão das sombras.

Mas, enquanto houver alguém que assuma o fardo dessas sombras, estará tudo bem.

Shikamaru pensou que era seu dever ser esse 'alguém'.

Não seria natural que um usuário do jutsu da sombra assumisse esse encargo de trevas?

Naruto iria se tornar Hokage, e Shikamaru iria apoiá-lo como seu braço direito. Esse era o sonho de Shikamaru: ficar ao lado de Naruto e resolver quaisquer sombras que possam interferir com sua luz.

No momento em que o pensamento passou pela cabeça de Shikamaru, de repente ele compreendeu a si mesmo.

Por que ele tinha sido tão relutante sobre aceitar ir para o País do Silêncio?

Tinha sido por causa de Naruto, claro.

Se o País do Silêncio continuasse acumulando poder, Naruto eventualmente iria tentar acabar com o sofrimento. O País do Silêncio seria um enorme obstáculo para ele.

É por isso que Shikamaru estava indo para lá e cortar o mal pela raiz.

Depois de tudo, ele tinha decidido suportar todas as sombras que tentam interferir com a luz de Naruto. Isso inclui lidar com futuros obstáculos.

"Então, o que você está fazendo?" Perguntou Naruto, interrompendo o devaneio de Shikamaru.

"Estou dando uma caminhada."

"No início da manhã."

"Naruto." Shikamaru brincou. "Dar um passeio é tão estranho quanto comer ramen a esta hora."

"Bem, isso é verdade."

Os dois riram.

"Você tem o dia de folga?" Perguntou Shikamaru.

"De jeito nenhum. Porque certo alguém continua me dando missões dor de cabeça, eu não tive um dia de folga em meio ano, acredita. Eu estou indo em outra missão ao meio-dia."

Esse 'certo alguém' era Shikamaru, claro.

"Elas são missões que eu estou escolhendo para o seu bem, pare de reclamar."

"Mas eu ainda quero fazer uma pequena pausa."

"Os olhos estão sobre você, que é candidato a ser o próximo Hokage. É tão importante assim um tempo para pausas. Seja mais auto-consciente, Naruto."

"Eu entendo isso... Mas apenas um-"

"Sem mais." Disse Shikamaru, como se repreendesse uma criança. "Todo mundo na vila aprova você. E exatamente por aprová-lo que você precisa assumir ainda mais missões, para que as pessoas possam falar 'Ahh, o que faríamos se Naruto não estivesse aqui. ' Já se passaram dois anos desde que a guerra terminou, você não pode ser ingenuo, a aprovação de todos será constantemente garantida com ações a partir deste momento."

"Tudo bem, tudo bem..." Naruto amuou um pouco antes de dar uma espreguiçada. "Minha barriga está cheia, acho que vou para casa e dar um cochilo."

Shikamaru estreitou os olhos contra ele. "Não durma demais."

"Eu não vou." Naruto riu ao ver uma séria expressão naquele rosto, e começou a andar para trás.

"Ei, Naruto." Shikamaru o chamou por cima do ombro.

"O que?" Naruto se virou.

"Você é o homem que ira se tornar Hokage. Não se esqueça disso."

"Eu não volto atrás com a minha palavra." Prometeu Naruto. "Esse é o meu jeito ninja."

"Nunca voltar atrás em sua palavra." Shikamaru parou. "Esse é o meu jeito ninja também."

"Sim." Naruto levantou a mão direita em concordância, em seguida, virou-se para seguir seu caminho.

Depois de assisti-lo indo embora por algum tempo, Shikamaru virou-se para seguir o seu próprio caminho também.

"Eu definitivamente vou fazer você Hokage."

Shikamaru tinha decidido há muito tempo que ele não voltaria atrás com essas palavras.


"Eu fiz vocês esperarem, hein."

Shikamaru estava dirigindo as palavras na direção de Rou e Soku.

A missão envolvia infiltrar no país, bem como, assassinar o alvo. Não era lago que podia ser feito completamente as escondidas. Por isso os dois não estavam usando suas máscaras.

"Temos vários objetivos na missão." Disse Shikamaru. "Examinar a situação do País do Silêncio. Buscar por Sai e pelos 10 ANBU que perdemos contato. Mas a maior prioridade será assassinar o homem chamado Gengo."

A dupla silenciosamente assentiu.

Kakashi não veio vê-los partir. Os três shinobi eram as únicas pessoas próximas dos portões dos fundos, que estavam fechados. Escondidos dentro de um grupo de árvores na base de montanha. Apesar de ser uma manhã brilhante, os portões parecia molhados e sombrios.

"Ah, bem, uma vez que realizaremos um assassinato, devemos nos certificar de que não haja observadores..." As narinas de Rou queimaram quando ele enfatizou 'observadores'.

Shikamaru olhou para ele, perplexo com o que poderia significar.

"Sua piada não foi nem um pouco animada, sabe."

O homem parecia confuso, uma gota de suor envergonhada pendurada em sua testa.

"Ele estava tentando fazer uma piada, sabe." Soku explicou para Shikamaru com um 'Eu sinto muito por isso' olhando em seu rosto. "Você estava explicando para nós sobre os meandros da missão, ele fez piada sobre o assassinato não ser observado por ninguém, uma vez que é segredo, mas ele será observado por nós... Basicamente, esse velho tenta fazer piadas ruins como essa de vez em quando, seria bom ficar atento a elas, sabe."

Shikamaru guardou para si o desejo de fazer uma réplica espirituosa, limpou a garganta, tentando recuperar a atmosfera séria.

"Quando passarmos dos portões, começaremos a correr, certo?"

"Nós estamos cientes, sabe." Soku alegremente respondeu.

Rou, que tinha o rosto um pouco vermelho de vergonha, também deu um aceno com a cabeça.

"Tudo bem, vamos embora."

Com isso, os três finalmente atravessaram os portões dos fundos.

Temari estava as costas de Gaara, observado seu cabelo carmesim balançar ao vento. Olhando para ele, ela pensou consigo mesma que seu irmão mais novo havia crescido magnificamente.

Eles estavam de pé no topo de uma colina, olhando de cima a vista brilhante de Suna. As pessoas em sua vila chamavam esta colina de 'local para ver o vento', porque o vento nunca parou de rugir ali, todo a ano. Temari sabia muito bem que Gaara era o único que vinha até aquele local, apesar dos fortes ventos, para apreciar a vista da vila.

"Você precisa de alguma coisa? Nee-san", perguntou Gaara. Ele inclinou a cabeça para trás olhando para ela, Temari podia ver o solitário kanji 'amor' tatuado em sua testa.

Vários anos atrás, se alguém na vila ouvisse o nome 'Gaara' tremeria de medo. Mas olhe para o seu irmão mais novo agora. Ele era líder de Suna, e uma figura vital na aliança, mantendo todos os shinobi unidos. Gaara se tornou uma existência que o Mundo Shinobi não poderia viver sem.

Foi tudo graças a Naruto.

Gaara tinha um bijuu dentro dele desde que nasceu por toda sua infância. Ele costumava acreditar em 'amar apenas a si próprio' e tinha aceitado que o resto do mundo seria seu inimigo, não deixando ninguém se aproximar. O velho Gaara não tinha deixado sequer sua irmã mais velha, Temari, ou seu irmão mais velho, Kankuro, aproximar-se do seu coração. Mas ele não disse isso em voz alta, todo o seu corpo, suas ações perdiam-se no meio da sede de sangue, todas as coisas que ele havia transmitido eram altas e claras.

Naruto foi o único que conseguiu atingir Gaara.

Naruto simplesmente não podia abandonar Gaara, não quando ele era um companheiro jinchuuriki que havia vivido a mesma infância que ele. Após a troca de golpes em uma batalha feroz que ultrapassou os limites de seres humanos, os dois lentamente entenderam um ao outro. Quando o bijuu de Gaara foi removido de seu corpo pela Akatsuki e ele estava a beira da morte, Naruto bombeou tanto de chakra de seu corpo quanto podia, nem um momento pestanejou. Gaara reconheceu-o como um 'amigo'.

Gaara havia mudado desde que conhecerá Naruto. Seu temperamento frio desapareceu. A maneira como ele tratava e falava com Temari e Kankurou alterou-se. Sua atitude para com a vila mudou. Seus sentimentos para com as pessoas da vila mudaram também.

E no final, Gaara foi reconhecido por todos.

Temari era eternamente grata a Naruto por isso. Ela pensou que no geral a vila de Konoha era agradável. Seus moradores nutriam um forte orgulho como shinobi, e muitos deles eram pessoas lógicas.

De repente, o rosto de certo cara viajou pela sua mente. Havia uma pungente dor dentro do peito de Temari, subitamente, ela estalou a língua irritada.

"Tem algo errado, nee-san?"

"Eh? Não..."

Gaara estava olhando para ela, uma preocupação transparente em seus olhos. Temari podia sentir a sua preocupação tão intensamente que doía, e desviou seu olhar do dele.

A Vila da Areia foi sempre escassa em água. À direita e ao centro do deserto, nunca choveu. E a areia sempre fora misturada com o vento também.

"Eu tenho um pouco de areia no meu olho, é isso."

"Isso é raro." Disse Gaara suavemente. "Isso não costuma acontecer com você, nee-san."

"Is- isso é verdade...”.

Os nascidos em Suna estavam acostumados com a relação entre o vento e a areia, lidando bem com isso. Mesmo em uma tempestade de areia, os olhos dos suna-nin jamais arderiam por causa da areia.

Temari dizer 'tenho areia nos meus olhos' era uma mentirosa e descarada desculpa.

"Shikamaru..." Subitamente Gaara disse o nome desse cara, Temari foi pega tão desprevenida que não pode evitar que seu corpo congelasse.

Embora sua irmã congelasse como se em resposta a um ataque inimigo, Gaara não disse nada sobre sua súbita mudança de postura, e simplesmente continuou falando com indiferença.

"Ultimamente, sinto que ele anda se comportando estranhamente. A última vez que o vi, na sede da União, parecia que seu coração não estava presente em suas ações. Tive a sensação de que ele estava dedicando muito esforço em alguma outra coisa."

"Você também pensou assim, né", disse Temari.

Gaara assentiu. "Eu costumava não se preocupar com outras pessoas, mas agora, sou extremamente cuidadoso ao tomar conhecimento do comportamento e aparência de outros. Talvez seja por isso que sou tão sensível às mudanças nos corações das pessoas."

Claro, seu irmão era, no fundo, uma pessoa muito séria. Uma vez que acredita que algo deva ser feito, ele coloca todas para trabalhar seriamente para sua realização. Isso tudo pelo fato dele ser capaz de abrir seu coração completamente para todos ao seu redor.

Não foi uma surpresa que seu irmão possa observar as mudanças sutis no comportamento de Shikamaru, já que ele era tão cuidadoso em ler outras pessoas.

"Ele está escondendo algo."

"Mm..." Temari deixou escapar um som de acordo.

"Ele é alguém que pensa sobre o futuro da União e dos shinobi mais a sério do qualquer outra pessoa." Disse Gaara. "Eu não acho que ele fará qualquer coisa que possa ameaçar a União."

Gaara estava se referindo ao fato de que cada vila oculta que participava da União tinha o dever de relatar qualquer problema dentro ou fora de sua jurisdição. Ele também estava se referindo ao fato de que tanto ele quanto Temari tinham notado que Shikamaru estava receoso em relatar alguma situação que acontecia em Konoha. Qualquer problema que o fez agir assim era muito provável que fosse algo que pudesse afetar todas as vilas shinobi.

"Você tem alguma ideia do que poderia estar acontecendo com ele, nee-san?"

"Eu que pergunto."

Era natural que Gaara perguntasse a ela. Temari era a que trabalhou mais tempo com Shikamaru, dentre todos da União.

"Não é que eu não tenha uma ideia, só que..." Disse Temari. "Eu só não sei se estou certa disso."

Gaara assentiu, em silêncio, escutando.

"Ele estava investigando seriamente o desaparecimento em ação dos shinobi durante a guerra, e os recentes casos de nukenin nas vilas."

Na resposta de Temari, Gaara tirou os olhos sobre ela direcionando-os para a vila novamente. Um sulco surgiu no que deveria ter as sobrancelhas.

Ele estava pensando.

De repente, o vento aumentou. Pedaços de areia rasparam suas testas, uma dor familiar.

"Vamos perguntar a Naruto." Gaara murmurou. "Você vai, nee-san?"

"Sim." Temari foi surpreendida por quão ansioso sua voz soou.

"Claro, você deve perguntar a Kakashi também, mas ele definitivamente irá encontrar uma maneira de evitar responder, por isso perguntamos sobre Shikamaru a Naruto em primeiro lugar." Disse Gaara: "Se Shikamaru estiver enfrentando uma situação difícil, o minimo que podemos fazer é tentar salvá-lo com nossa força total. Se você sentir que são necessários shinobi de Suna, pegue tantos quantos precisar."

“... Shikamaru é um shinobi de Konoha, sabe?"

"Passamos da época em que nós nos preocupamos com coisas como 'Suna shinobi' ou 'Konoha shinobi'. Ele é uma pessoa necessária para a União. É natural que o apoiaremos."

“... Obrigado."

"Isso não é algo que precisa me agradecer nee-san."

Uma pequena lágrima caiu do rosto de Temari. Afastando-a impacientemente, ela olhou para seu irmão mais novo com um largo sorriso.

"De alguma forma, meus olhos estão cheios de areia hoje.”

"Ei Sakura-chan, você está ouvindo?" Naruto irritado perguntou, apoiando os cotovelos contra uma pilha de livros que viam até o seu peito. Ele estava falando com as costas de Sakura, que estava correndo ao longo de uma comprida estante que cobria a parede.

"Sabe, Sai não aparece a mais de um mês, e Shikamaru, de uma hora para outra, ficou incrivelmente frio e severo comigo. Ei, você acha que ele está escondendo alguma coisa?"

"Eu não!"

A voz exasperada de Sakura fez Naruto estremecer.

"O que aconteceu com sua missão?"

"Ela terminou hoje."

"Daqui a pouco, vou para o Ichiraku, comer alguns ramen, ir para casa e dormir!"

"Quuêêêê, já faz todo esse tempo que você passou pela Residência do Hokage. Você finalmente está mostrando quem você é... Agindo dessa forma, nem parece com um membro do time 7."

Sakura furiosamente virou seu rosto amuado, fazendo beicinho.

"Neste momento, estou sobrecarregada com o trabalho de Tsunade-sama, no desenvolvimento de um sistema para jutsu medicinais, bem como, trabalhar na estrutura do sistema da União. Eu também tenho que ir atrás de documentos que sobraram da época de Tsunade-sama como Hokage! Eu não tenho tempo livre! Eu não posso ouvir sua fofoca! Entendeu?"

Bufando, ela se virou para as prateleiras.

"Além disso, não tem saído com Hinata ultimamente? Não seria melhor ela ouvir você falar, do que você me importunar?"

"O quê? Você tem ciumes?"

Sakura se virou com uma expressão furiosa, batendo o punho contra a cabeça de Naruto.

"Obviamente não! Decidi esperar Sasuke-kun, entendeu!"

"S- sim, senhora..." Naruto respondeu. De repente seus olhos mudaram para um olhar um pouco mais sério, e Sakura, notando, prestou um pouco mais de atenção no que ele estava falando.

"Mas ultimamente, sabe, eu tive essa sensação ruim."

"É a nove caudas fazendo rebuliço."

A nove caudas ainda vivia dentro de Naruto. Havia partes de outros oito bijuu dentro dele também. Dessa forma, você poderia dizer que ele era um pilar humano para o poder da Dez Caudas. Na última guerra, Obito tinha se tornado o pilar humano para a Dez Caudas e ganhou chakra que rivalizava com o do Sábio dos Seis Caminhos. Naruto, que tinha tomado para si partes das bijuu, tinha uma fração do poder do Sábio, mesmo agora. Seus 'sentimentos ruins' eram diferentes de um ser humano normal, e Sakura sabia disso também.

"Você não acha que possa ser um mal-entendido ou coisa assim?"

"Você é cruel, com sua confiança no meu julgamento lá embaixo..." Naruto murmurou, se jogando no chão, em mau humor.

"Se a sua preocupação tem alguma razão, não há nada que você possa fazer agora. Ambos, Sai e Shikamaru, são shinobi brilhantes. Mesmo que eles acabem em alguma situação onde precisam de sua ajuda, eles irão pedir para você. E se não puderem, em seguida, o Hokage irá pedir para você salvá-los."

"Ehh, eu não posso confiar que Kakashi-sensei fará isso."

"Você é muito pior do que ele é!" Sakura explodiu, dando-lhe um pontapé na canela. Naruto atirou-se ao chão, mantendo certa distância.

"Pare de falar em coisas que você não pode mudar, e se concentre em sua missões. Isso é o que Sai e Shikamaru esperam que você faça. Especialmente Shikamaru. Ela está trabalhando no seu limite, na União e na vila, para que você possa se tornar Hokage! Você não pode deixar que tudo que ele fez seja em vão."

"Eu sei que ele está trabalhando para mim... mas é por isso que estou preocupado, entendeu."

Sakura soltou um suspiro.

"Recomponha-se. Eles são companheiros que já acreditaram em você todo esse tempo, não morrerão por qualquer coisa."

"Não fale tão ameaçadoramente sobre morte!"

"Oh, pelo amor de deus! Eu digo uma coisa e você fica chateado, eu digo outra coisa e você continua chateado. Você esta criando um dramalhão, sabe!" Sakura utilizou a própria frase de Naruto contra ele. "Vá para casa e durma!"

Sakura jogou Naruto para fora da sala.


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Tradução: narutoworldbrazil Do Inglês: Cacatua

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